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Laudo de mulher que morreu após cirurgia estética aponta infecção

Laudo da perícia indicou ‘broncopneumonia’ em Daniela Desa, de 36 anos.
Moradora de Praia Grande passou por cirurgia estética em junho.

 

Daniela morreu nove dias após cirurgia em Praia Grande (Foto: Reprodução/Facebook)Daniela morreu nove dias após cirurgia em Praia Grande (Foto: Reprodução/Facebook)

O laudo de exame necroscópico sobre a morte da gerente administrativa Daniela Desa Avighi, de 36 anos, que faleceu em junho deste ano, dias após passar por procedimentos estéticos em Praia Grande, no litoral de São Paulo, aponta que ela morreu por “choque séptico por broncopneumonia”, causado pela bactéria Klebsiella pneumoniae.

Irmão da vítima pediu exumação do corpo (Foto: Roberto Strauss/G1)

Irmão da vítima pediu exumação do corpo (Foto: Roberto Strauss/G1)

O corpo da gerente foi exumado no dia 7 de agosto deste ano. Daniela passou por pelo menos três procedimentos cirúrgicos em uma clínica do litoral, no dia 23 de junho. Entre eles, lipoaspiração, peeling para remover estrias dos glúteos e aumento dos seios com próteses de silicone. Após reclamar de dores, ela voltou a ser internada em um hospital de Santos, com quadro de infecção generalizada, e morreu no dia 2 de julho.

Segundo o irmão da vítima, Cláudio Sá Avighi, que tem acompanhado as investigações sobre a morte da irmã, o resultado parcial não afasta a culpa do médico. “Ela foi infectada por uma bactéria que certamente contraiu durante a cirurgia estética, comprovando a culpa do médico e do hospital. Pelo que pesquisei, é uma infecção típica de ambiente hospitalar”, enfatiza.

Já o advogado Arnaldo Tebecherane Haddad Filho, que responde pelo médico cirurgião, rebate a acusação e afirma que a infecção não possui nenhuma relação com o trabalho do profissional. “O laudo é bem claro e afasta a ligação do procedimento cirúrgico e dos locais onde a cirurgia foi feita, com a morte dela. Os indícios apontam que possa ser uma superbactéria resistente até aos antibióticos que ela tomou após a cirurgia”, disse.

Mulher realizou cirurgia em hospital de Praia Grande (Foto: Reprodução/TV Tribuna)

Mulher realizou cirurgia em Praia Grande (Foto: Reprodução/TV Tribuna)

Omissão
Para o irmão de Daniela, mesmo que a bactéria tenha sido contraída em um “evento normal”, ele questiona a falta de socorro à irmã durante o pós operatório. “Imagina se tivesse sido contraído em um evento normal, mas e depois da cirugia? Ele foi omisso, porque ela pediu socorro. Se tivesse feito corretamente, talvez ela ainda estivesse aqui”, acrescenta.

Haddad Filho não concorda com a afirmação de Cláudio e destaca que as conversas trocadas entre a paciente, o médico e enfermeira da clínica dão conta justamente de uma melhora de Daniela antes da morte. “Eram conversas normais, porque se ela estivesse passando mal teria procurado um pronto socorro. Essa situação foi fantasiada. Reafirmo que essa infecção não tem a ver com a atuação do médico e ele inclusive a visitou em Santos”, acrescenta o advogado.

Delegado pede cautela
Embora com o resultado em mãos, o delegado Juvenal Marques, do 1º DP de Praia Grande, afirma que não deve se basear apenas no laudo recente. “O inquérito ainda não voltou do fórum, mas ainda vou pedir um parecer diferente do Imesc [Instituto de Medicina Social e de Criminologia de São Paulo]. Não da para se basear apenas nesse laudo, até porque não fui nem eu quem pedi”, disse o delegado.

A conclusão, no entanto, só deve ficar pronta dentro de três ou quatro meses. “Ainda temos que acrescentar a oitiva do médico, ele será ouvido em breve, então isso leva mais algum tempo”, finaliza.

Daniela morreu nove dias após cirurgia em Praia Grande, SP (Foto: Arquivo Pessoal)Daniela morreu nove dias após cirurgia em Praia Grande, SP (Foto: Arquivo Pessoal)
*fonte G1



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