Barco Pérola Negra ficou danificado após acidente (Foto: Rinaldo Rori / TV Tribuna)

Sobreviventes de naufrágio no litoral acusam piloto de omissão: ‘Covarde’

Acidente matou mãe e filho em Cananéia, no litoral de São Paulo.
Embarcação com 20 pessoas virou já na volta do passeio.

Barco Pérola Negra ficou danificado após acidente (Foto: Rinaldo Rori / TV Tribuna)

Barco Pérola Negra ficou danificado após acidente (Foto: Rinaldo Rori / TV Tribuna)

Os sobreviventes do naufrágio que matou mãe e filho afogados em Cananéia, no litoral de São Paulo, no último fim de semana, descreveram os momentos de tensão que viveram durante o acidente. Os turistas acusam o piloto da embarcação de não prestar socorro e cobram fiscalização da Marinha e da Guarda Costeira. Abalados com o episódio, eles deixaram o litoral paulista na tarde do último domingo (24).

Elaine Cristina Verne Curtale, de 41 anos, e o filho Davi Curtale, de quatro anos, ficaram presos na cabine do barco e morreram afogados. O barco Pérola Negra retornava de um passeio na Ilha do Cardoso, por volta das 17h, quando aconteceu o acidente.

Segundo o piloto Vanderlei Atanásio, que coordenava a embarcação, um dos passageiros levantou durante o passeio, bateu a cabeça no teto da lancha e quando voltou a sentar acabou pendendo o barco para um dos lados. “Quando ele voltou sentou do lado que já tinha outra pessoa próxima e o barco envergou. Não teve como voltar, porque pesou a lancha”, explica.

Mulher e filho de quatro anos morreram durante naufrágio em SP (Foto: Reprodução / Facebook)Mulher e filho de quatro anos morreram durante naufrágio em SP (Foto: Reprodução / Facebook)

Reclamação
No momento do acidente, a embarcação tinha 20 passageiros, segundo o piloto, número nada além do que a lancha comportava. Uma das turistas, no entanto, reclama que o “piloteiro” foi o primeiro a falar que o barco iria virar e pulou. “Chegou uma lancha, resgatou ele e levou para longe de nós. Ele só voltou de madrugada com a consciência pesada para buscar os corpos”, disse a advogada Renata Arduini.

Advogada cobrou mais fiscalização das autoridades marítimas (Foto: Reprodução / TV Tribuna)

Advogada cobrou mais fiscalização das autoridades marítimas (Foto: Reprodução / TV Tribuna)

A ajuda para resgatar o grupo só teria partido de pescadores locais que estavam com os barcos próximos. “Quando a embarcação virou ele foi covarde. Ele não mergulhou para ajudar a salvar as pessoas. Eu não sei nadar e mesmo assim mergulhei e ainda tentei ajudar. Depois vieram os outros pescadores”, criticou o comerciante Daniel Botelho.

O piloto rebate as acusaões e diz, inclusive, que apesar da cena “dramática”, jamais deixaria de ajudar. “Eu sai da lancha e começamos a salvar as crianças enquanto os barquinhos chegavam. Jamais abandonaria. Eu estava carregando todos para a praia e até na hora de voltar peguei os corpos e coloquei em outro barco. Trabalho há mais de 15 anos neste serviço e nunca aconteceu nada parecido. É dramático”, lamentou.

Coletes
Sobre o uso dos coletes, os próprios turistas reconheceram que não costumam usar o equipamento e citam ainda que mãe e filho pareciam ter ficado enroscados no barco. “O colete deles [mãe e filho] estava atrapalhando. Ele estava debaixo [do barco] com a mãe, no colo. Eu não quis colocar colete, acho que foi um instinto para eu ficar livre”, disse a advogada que conseguiu se salvar.

Piloto da embarcação lamentou acidente (Foto: Reprodução / TV Tribuna)

Piloto da embarcação lamentou acidente (Foto: Reprodução / TV Tribuna)

O dono da embarcação, Julemar Cesar Duarte, diz que o barco tinha o número de coletes suficiente e todos estavam em local de fácil acesso. Apesar do equipamento ser de uso obrigatório, o piloto diz que “infelizmente não pode obrigado o turista a usar”.

Fiscalização
O empresário Daniel Vicente Alves ficou com marcas no rosto ao bater a cabeça em uma das parte do barco. Ele lembra que após o acidente tirou a camiseta e acenou para outras lanchas pedindo ajuda. “Infelizmente perdemos duas pessoas. Muita gente olhando, barco, escuna e ninguém ajudou, somente os pescadores da região. Se não fossem eles tinham ido mais pessoas”, disse.

Para a advogada Renanta Arduini, o episódio deve servir de alerta para uma fiscalização. “Precisa haver uma fiscalização, porque eles não instruem a gente a usar o colete salva-vidas. Apesar de termos consciência de que é necessário, nunca pensamos nisso. Era um grupo de amigos, o barco era novo, capacidade adequada, mas a marítima não estava aqui. Vem muito estudante e jovem fazer esse caminho por causa das reservas e é tudo sem proteção. Não pode ser assim, encostou o barco, você paga, vai e morre”, questiona.

Cananéia é conhecido destino turístico na região do Vale do Ribeira (Foto: Divulgação / Prefeitura de Cananéia)
Cananéia é conhecido destino turístico (Foto: Divulgação / Prefeitura de Cananéia)
*fonte G1



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